quinta-feira, 11 de março de 2010

Crítica: Ilha do Medo

É notória a paixão e o respeito de Martin Scorsese pelo cinema. E o que digo não é óbvio. Boa parte das pessoas que fazem cinema, seja no Brasil ou fora dele, não assiste cinema. Com o diretor de Os Infiltrados e Gangues de Nova Iorque, dentre tantos outros, a história é diferente. Ele não só é um dos grandes mestres do cinema atual, como está em constante busca de aprendizado com os outros mestres, sem desdém ou arrogância. Não raramente é possível vê-lo em documentários ou programas que expliquem a história do cinema ou que façam uma análise de tal.


Tal aglomeração de estudos e práticas fica evidente no novo filme de Scorsese, Ilha do Medo.


Em 1954, os agentes federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) investigam o desaparecimento de uma interna do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, localizado no ilha Shutter. Chegando no local, eles encontram uma rebelião de presos, devido a um furacão que se aproxima da ilha, o que impossibilita-os de sair de lá.


Usando de referências de filmes de suspense/terror, como O Bebê de Rosemary (Roman Polanski), O Iluminado (Stanley Kubrick), O Sexto Sentido (M Night Shyamalan) e coincidentemente com a dolorosa carga de terror psicológico de Anticristo (Lars von Trier), Scorsese mostra que é capaz de realizar grandes obras em quaisquer gênero que se engaje. A trilha, os enquadramentos, o tratamento dado à fotografia e os diálogos do roteiro são todos muito bem utilizados para criar a atmosfera de um clássico filme do estilo.


Como o personagem de Leonardo DiCaprio tem muitos pesadelos, o diretor aproveita a oportunidade para entregar ao espectador cenas lúdicas com a dose certa de surrealismo e efeitos visuais.


São poucas as pistas soltas sobre o mistério que envolve a ilha Shutter e seu habitantes, o que fará muita gente ficar impaciente por uma resolução dos fatos, já que por boa parte da projeção o roteiro parece não querer que o espectador entenda muita coisa do que está vendo. Mas uma cena crucial elucida o caso, bem ao modo hitchcockiano de encerrar filmes, com cada detalhe (excessivamente) explicado.


Como uma andorinha só não faz verão no cinema, o diretor contou com uma equipe técnica de primeira e com um elenco sensacional, com nomes como Mark Ruffalo, Emily Mortimer, Ben Kingsley, Jackie Earle Haley, Max von Sidow, Michelle Williams e Patricia Clarkson, além da boa atuação de DiCaprio.


Ilha do Medo foi muito bem recebido pelo público norteamericano (já ultrapassou a marca dos US$ 100 milhões de dólares arrecadados), apesar de ter estreado no último Festival de Berlim com certo desdém da crítica – fato não incomum para filmes do gênero.


Se o longa entrará para o hall dos clássicos de terror, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: Scorsese é um mestre e soube bem aproveitar suas referências, os mestres, com carinho.


Trailer:

(Shutter Island, EUA, 138 minutos, 2010)
Dir.: Martin Scorsese
Com Mark Ruffalo, Emily Mortimer, Ben Kingsley, Jackie Earle Haley, Max von Sidow, Michelle Williams e Patricia Clarkson

Novos trailers de Toy Story 3

A nova aventura dos queridos bonecos da Pixar chegará aos cinemas brasileiros em 25 de junho deste ano e os dois primeiros filmes foram relançados, em 3D, por uma semana cada.

Uma boa notícia é que Toy Story 2 ficará em cartaz por mais uma semana em algumas cidades brasileiras.

Hoje, a Disney divulgou dois novos trailers da nova parte da saga.

Neles, Woody, Buzz e companhia vão para numa creche, depois que o menino Andy cresceu e já não mais brincava com eles. Novos personagens aparecem no segundo trailer, como por exemplo, o boneco Ken (hilário) e a Barbie.

Trailer 1:

Trailer 2:

quarta-feira, 10 de março de 2010

Crítica: Direito de Amar


Estilista de renome, Tom Ford foi o responsável por tirar a marca Gucci da falência e torná-la uma das mais lucrativas marcas do mundo da moda. Obteve posteriormente o mesmo êxito ao fazer parceria com Yves Saint-Laurent e finalmente com sua marca própria de vestimentas masculinas.

Em seu primeiro trabalho no cinema, ele dirige, produz e roteiriza esta obra, cujo título em português mais parece nome de novela mexicana: Direito de Amar. Acredite, não tem absolutamente nada a ver com o filme.

O longa é baseado no romance A Single Man de 1964, de Christopher Isherwood e tem como protagonista George (Colin Firth), professor universitário que acabara de perder o amante, Jim (Mathew Goode), o que o faz entrar num processo lento e doloroso de autodestruição psicológica. Sua única amiga é Charley (Julianne Moore) e seu único novo conhecido é um insistente aluno, que há pouco assistiu uma de suas palestras sobre o medo.

O personagem de Colin Firth arrasta-se todo o filme, pálido, sem vida, o que fica bem evidenciado pelo excelente trabalho de colorização, que deixa a fotografia com pouquíssimas cores, ficando estas mais vivas nos poucos momentos nos quais George vê o mundo com simpatia. Tal alternância acontece sutilmente, num mesmo plano, como se uma onda de cor e iluminação tomasse conta da tela. Em outros momentos, o slow motion é utilizado, como se a vida passasse lentamente aos olhos de George e ele fosse inerte a isso. Recursos adequados e criativos, mesmo que por vezes fossem redundantes.

Alguns críticos podem dizer que a fotografia deste filme é muito publicitária – crítica semelhante às que fazem aos filmes de Fernando Meirelles – mas eu acho que nestes casos em que é bem empregada, fazem bem ao filme. Não há nada de mau em misturar os estilos e influências.

A trilha sonora é de uma beleza ímpar, com violinos que permeiam toda ela. Até a escolha das músicas das duas músicas não-originais – as que George dança com Charley – são de extremo bom gosto.

Obviamente, não poderíamos esperar um figurino que não fosse muito bem cuidado, num filme em que o diretor é um estilista de renome, mesmo não sendo ele o que assina a função de figurinista. Aliás, como estilista, Tom Ford revela-se um ótimo diretor de cinema.

Mas Direito de Amar não seria nada se não fosse a atuação nada menos que brilhante de Colin Firth, deprimente e instrospectivo, de olhar vazio e com muito ressentimento por talvez não ter aproveitado o que a vida lhe ofereceu. Por sua vez, Colin encontra suporte em Julianne Moore, também excelente e igualmente deprimente, só que ela esconde a solidão em luxo e álcool.

Direito de Amar é um filme surpreendente e que merecia mais destaque nas premiações deste ano. Um filme que exala sensualidade e solidão em doses parecidas, ambas beirando o excesso, mas não chegam a ultrapassa os limites.

É elegante como os desfiles do seu diretor/estilista.

Trailer:

(A Single Man, EUA, 101 minutos, 2009)
Dir.: Tom Ford
Com Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Mathew Goode

terça-feira, 9 de março de 2010

Promoção Simplesmente Complicado

Meryl Streep estrela esta comédia romântica super divertida, na qual ela torna-se amante do ex-marido. Leia a crítica.

Quer assistir este filme, de graça?

Basta responder à pergunta: você aceitaria ser amante de seu/sua ex?

A pergunta é a título de enquete e todos que responderem, deixando junto à resposta, num comentário deste post, e-mail, nome e endereço completos concorrem. É importante deixar todos estes dados, para eu informá-los do resultado e enviar os ingressos com maior rapidez. Apenas nome e cidade dos sorteados serão divulgados. Os outros dados serão mantidos em sigilo, não se preocupem.

Comentários sem um dos dados exigidos serão excluídos do sorteio.

Serão sorteados cinco (05) pares de ingressos. Podem concorrer pessoas de todo o Brasil.

A promoção é válida até o final do dia 11/03 (quinta-feira) e o sorteio será divulgado no dia seguinte.

Boa sorte a todos!

Promoção encerrada!
Resultado da enquete:
NÃO - 55,88%
SIM - 44,12%

Ganhadores:
1- Jardel Nunes dos Santos - Santa Cruz do Sul/RS
2- Amanda Rosconi Braga - Estância Velha/RS
3- Mariana Ferreira Gomes - São Gonçalo/RJ
4- Fernanda G A Rodrigues - Brasília/DF
5- Ana Celina Araújo - Porto Alegre/RS 

segunda-feira, 8 de março de 2010

Impressões pós-Oscar

Eu não faria isto, mas atendendo a pedidos, darei minha opinião sobre a cerimônia de ontem.

Quanto à cerimônia em si, achei boa a ideia de ter dois apresentadores, o que tira um pouco o ar egocêntrico de antes, quando a maioria dos comediante estavam lá, super nervosos, tentam mostrar - e nem sempre conseguindo - o quanto eles são engraçados hô hô hôw. Isso não significa que ambos os apresentadores foram bem. Steve Martin tem ótimas tiradas (apesar de eu não gostar da maioria dos seus filmes), mas Alec Baldwin? Não entendo a paixão estadunidense por essa família.

As apresentações de dança foram tremendamente enfadonhas e desconexas. Aquelas pessoas dançando street dance músicas de ritmos completamente diferentes ficou muito estranho, não acham?! Eu preferia as apresentações da "melhores canções", mesmo que isso tomasse um pouco mais de tempo.

E que satisfação ver o gênero "horror" homenageado, numa festa que sempre o renegou! Assim como foi um grande avanço indicar "filmes de efeitos visuais" de alguns anos para cá, seria um grande avanço reconhecer, nos próximos anos, o mérito de filmes de suspense/terror/horror. Afinal, já se passaram dez anos desde que O Sexto Sentido foi indicado...

No mais, muito interessante a apresentação das categorias de melhor ator e atriz, com "amigos" falando um pouco de cada indicado. Isso valoriza os prêmios. Só não precisavam fazer discursos tão inflamados, demorados e forçados.

Quanto à imprensa, tenho algumas considerações. Hoje, passeando por alguns sites de notícias, vi que a maioria das chamadas enfatizava o fato de que "Avatar perdeu para Guerra ao Terror". Desde quando perde-se algo que nunca se teve? E foi só Avatar que não ganhou o Oscar? Este festejo grosseiro em cima de Guerra ao Terror mais me parece uma comemoração da não consagração do filme de James Cameron do que propriamente uma concordância de que Kathryn Bigelow fez uma obra melhor.

Não cheguei a acompanhar o TNT, mas ouvi/li muita gente reclamando dos comentários do Rubens Ewald Filho. Não duvido que sejam pertinentes, até por que sinto muito desdém da parte dele com relação a artistas e filmes. É como se levasse as críticas para o lado pessoal. Mas não estou aqui para julgá-lo, afinal ele é, inegavelmente, um grande profissional.

Quanto à patética exibição da Rede Globo, que desrespeitosamente - e mais uma vez - privou os fãs de cinema de poderem acompanhar a cerimônia por completo - que saudades da transmissão pelo SBT! - e ainda entregou-nos mais notícias de fofoca do que propriamente de cinema. E quanto rancor José Wilker tem de Avatar, não?! Coisa de intelectualoides que só sabem reconhecer o valor de um filme quando ele é pequeno, de baixo orçamento, feito na base de muito mendigamento e privado de várias possibilidades por causa de grana. Um filme tem valor não pelo quanto custou, mas pelo que ele é e não é porque a finalidade dele não é reproduzir pensamentos profundos e pseudocult nas pessoas (o que eu acho que Avatar é capaz também) que ele é menos do que outro. Cada facção do cinema tem o seu valor. Renegar o que Avatar significa para a sétima arte e o que ele pode influenciar daqui para frente é tapar os olhos para uma realidade. Guerra ao Terror ter sido financiado com tão pouca grana (US$ 11 milhões) é um grande feito, mas vá perguntar para Kathryn Bigelow e os outros produtores do filme se eles não gostariam de ter tido mais dinheiro para fazer o filme?

Guerra ao Terror mereceu o Oscar de melhor direção e isso muito significa para o cinema e quebra tabus, a partir do momento que uma mulher leva, pela primeira vez a estatueta. Também mereceu levar o prêmio de melhor filme? Talvez. Tem seus méritos e quer queiram seus detratores ou não, ele inova na linguagem cinematográfica do seu nicho, assim como Avatar, Bastardos Inglórios e Distrito 9 também o fazem e também mereceriam levar o prêmio, que infelizmente, só pode ser entregue a uma obra.

Não vi o filme de Sandra Bullock - me recuso a baixar um filme que está prestes a estrear, como muita gente já fez - e não posso dizer se achei merecido ou não. Mas adorei a escolha de Jeff Bridges como melhor ator, os quesitos coadjuvantes foram igualmente justos e a categoria de filme estrangeiro foi uma grata surpresa. O Segredo dos Seus Olhos era minha aposta mais arriscada de deu certo! Uma pena que as categorias de roteiro não foram justas. O que é o roteiro de Preciosa diante de Amor Sem Escalas, In The Loop ou Distrito 9? O quão original é o roteiro de Guerra ao Terror diante do brilhantismo de Bastardos Inglórios? Estes prêmios demonstram a força que tem uma campanha de marketing numa premiação POLÍTICA como o Oscar.

E a fotografia de A Fita Branca merecia ter ganho de Avatar (mais uma vez, prevaleceu a campanha ao invés do mérito), assim como melhor som e melhor edição de som mereciam ter ido para Avatar, ao invés de irem para Guerra ao Terror

O Oscar é feito de política, justiças com atraso - tanto com relação a indivíduos específicos quanto a gêneros e raças - e muitas injustiças também. Polêmico, é importante para o cinema, mesmo que não concordemos com suas escolhas. Afinal, é impossível agradar a todos, assim como é difícil não opinar.

É isso. Pronto, falei.


domingo, 7 de março de 2010

Oscar 2010: os vencedores

Na noite mais esperada por cinéfilos do mundo, a Academia entregou o prêmio de melhor filme para Guerra ao Terror, que levou outras cinco estatuetas, sendo o grande vencedor da noite. Avatar, seu maior concorrente, ficou com três estatuetas, seguido de Up - Altas Aventuras, Preciosa e Coração Louco, com dois prêmios cada. Uma das grandes surpresas da noite foi na categoria melhor filme estrangeiro, cujo favorito A Fita Branca foi desbancado pelo argentino (maravilhoso) O Segredo dos Seus Olhos. Veja abaixo a lista completa dos vencedores desta edição:

Melhor filme
“Avatar”
“Um Sonho Possível”
“Distrito 9″
“Educação”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”
“A Serious Man”
“Up – Altas Aventuras”
“Amor Sem Escalas”

Melhor diretor
James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”

Melhor ator
Jeff Bridges, “Crazy Heart”
George Clooney, “Amor Sem Escalas”
Colin Firth, “A Single Man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Rennet, “Guerra ao Terror”

Melhor atriz
Sandra Bullock, "Um Sonho Possível”
Helen Mirren, “The Last Station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie e Julia”

Melhor ator coadjuvante
Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “The Messenger”
Christopher Plummer, “The Last Station”
Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”
Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”

Melhor atriz coadjuvante
Penelope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”
Maggie Gyllenhaal, “Crazy Heart”
Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”
Mo’Nique, “Preciosa”

Melhor animação
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Coraline e o Mundo Secreto”
“Up – Altas Aventuras”
“A Princesa e o Sapo”
“The Secret of Kells”

Melhor roteiro original
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“The Messenger”
“A Serious Man”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor roteiro adaptado
“Distrito 9″
“Educação”
“In the Loop”
“Preciosa”
“Amor Sem Escalas”

Melhor filme estrangeiro
“Teta Assustada”, Peru
“A Fita Branca”, Alemanha
“O Profeta”, França
“Ajami”, Israel
“O Segredo de Seus Olhos”, Argentina

Melhor direção de arte
“Avatar”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“A Jovem Victoria”

Melhor fotografia
“Avatar”
“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“A Fita Branca”

Melhor figurino
“Brilho de uma Paixão”
“Coco Antes de Chanel”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“A Jovem Victoria”

Melhor edição
“Avatar”
“Distrito 9″
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”

Melhor maquiagem
“Il Divo”
“Star Trek”
“A Jovem Victoria”

Melhor trilha sonora
“Avatar”
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao Terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor canção original
“A Princesa e o Sapo”, com “Almost There”
“A Princesa e o Sapo”, com “Down in New Orleans”
“Paris 36″, com “Loin de Paname”
“Nine”, com “Take It All”
“Crazy Heart”, com “The Weary Kind”

Melhor documentário de longa-metragem
“Burma VJ”
“The Cove”
“Food, Inc”
“The Most Dangerous Man in America”
“Which Way Home”

Melhor documentário de curta-metragem
“China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province”
“The Last Campaign of Governor Booth Dardner”
“Music by Prudence”
“Rabbit à la Berlin”

Melhor curta-metragem de animação
“French Roast”
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”
“The Lady and the Reaper”
“Logorama”
“A Matter of Loaf and Death”

Melhor curta-metragem
“The Door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle Fish”
“The New Tenants”

Melhor edição de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor mixagem de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Transformers – A Vingança dos Derrotados”

Melhores efeitos visuais
“Avatar”
“Distrito 9″
“Star Trek”

Crítica: Entre Irmãos


Entre Irmãos é uma refilmagem do longa Brothers (2004), coprodução Suécia/Dinamarca pouco conhecida de Susanne Bier (Coisas que Perdemos pelo Caminho). Essa nova produção foi dirigida por Jim Sheridan (Terra de Sonhos) e indicada a dois Globo de Ouro (melhor ator para Tobey Maguire e melhor canção). Felizmente, não ganhou nenhum dos dois prêmios, assim como não conseguiu nenhuma indicação ao Oscar.

A história tem como epicentro a personagem de Natalie Portman, Grace, casada com Sam (Tobey Maguire), com quem teve duas filhas. Às vésperas de ingressar numa missão militar no Afeganistão, Sam vai à prisão local para buscar o irmão, Tommy (Jake Gyllenhaal), preso por três anos por ter assaltado um banco.

Após algum tempo de missão, Grace recebe em casa os chamados messengers, militares incumbidos de dar a notícia da morte de companheiros durante as missões. Diante do choque da morte do marido, Grace encontra conforto no cunhado rebelde, que passa a ajudar-lhe a criar as duas meninas agora órfãs.

O filme tem um bom diretor, mas que perdeu-se nas suas escolhas. Tem um ótimo elenco, mas que por algum motivo não estava à vontade, com atuações travadas e apenas alguns lampejos que demonstram o talento do trio de protagonistas. Tinha um bom argumento, mas que não converteu-se num roteiro bem escrito.

O desenvolvimento da história se atropela (talvez um trabalho ruim de montagem), com um sequência de cenas de “recuperação” muito rápida da viúva e igualmente rápido o envolvimento dela com o cunhado. Muito rápida também a transformação de Tommy (Jake Gyllenhaal), que vai de bad boy a bom moço em pouquíssimos minutos. Um pouco mais de calma não fariam mal a ninguém e história teria sido mais crível e menos forçada.

Uma atuação que não posso deixar de comentar é a da menina Baille Madison, como a primogênita do casal Sam e Grace. Deram para a pequena atriz frases de gente adulta e a fizeram “caprichar” nas caras de sofrimento e “olhares amargurados”. O resultado: uma atuação antipática e falsa. Deu vontade de sacudir a menina e dizer: “desemburre esta cara de bulldog, menina-monstro!”.

Ao contrário da irmã fictícia, Taylor Geare está uma graça como a filha caçula, natural e verossímil. Além dela, Carey Mulligan (Educação) também aparece muito bem numa pequena ponta, crucial para a compreensão das atitudes posteriores de alguns personagens.

Além disso, a direção de arte parece ter sido contratada a toque de caixa e realizada com muita má vontade. Eram perceptíveis descuidos como tampar a logomarca de um celular com um adesivo quadrado e mal recortado ou um espelho embaçado somente num “pedaço perfeito”, na medida certa para não infringir alguma cláusula contratual de Tobey Maguire e não mostrar seu peitoral magro na fase de filmagem que ele teve que emagrecer, ficando quase raquítico. O bom senso mandaria que filmassem de outro ângulo ou que arrumassem outra solução para a cena, que não aquelas soluções constrangedoras. Parece coisa de gente ranzinza, mas acreditem! Quem faz filme sabe que aquilo não passa de desleixo total. Tive vergonha alheia.

Entre Irmãos é a prova de que de boas intenções o inferno está cheio. 


Trailer:

(Brothers, EUA, 104 minutos, 2009)
Dir.: Jim Sheridan
Com Natalie Portman, Tobey Maguire, Jake Gyllenhaal, Carey Mulligan

Related Posts with Thumbnails